
De repente você vê que a dor não vai parar
o sangue nunca vai estancar
que o hematoma surgiu e vai ficar
quieto, parado feito seus olhos presos no lustre
De repente você vê que não é fome
foi a solidão que fez um buraco em seu estômago
e você engole o mundo para ver se tapa.
A água que escorre da torneira dos seus olhos
da boca sedenta de um beijo
anciosa de vazio e cheia de taças e vidas quebradas
ausências invisiveis na moeda caida em baixo da cama.
No amor, na dor da fragilidade de quem se ama,
no medo e no tédio de olhos fechados...
De repente você vê que a vida escorre mar afora
e você vai perdendo-se nas ondas
e as letras vão rasgando seus olhos...
Samantha Bergqvist

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